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domingo, 7 de agosto de 2011

pago pra ver




Quando, meses atrás, entrevistei Henry para uma matéria sobre a vida secreta dos garotos de programa, ele disse que atende apenas mulheres e casais – homens nunca - e que ganha bem para isso.

Depois da entrevista, ao contar isso para amigos, muitos duvidaram. “Mulher não precisa pagar para ter sexo”, diziam.

O primeiro pensamento que vem a nossa mente é esse: mulher não precisa pagar, sempre tem alguém querendo comer. Pode ser, mas quem disse que é para qualquer um que queremos dar? Para nós, pode ser fácil conseguir sexo a qualquer hora, mas como ficam os desejos, as fantasias, a vontade: “quero com ele, não com você”? Escolhas. Vontades. Isso existe e é parte fundamental do ato sexual.

Mulher paga, sim. O que a gente esquece – ou deixa de reparar, ou prefere fingir que não sabe – é que quando se fala de sexo pago o que está em jogo não é o sexo: é o poder e a realização.

Quando você paga para transar está pagando para transar do jeito que você quer. E se o jeito que você quer for estranho, o outro – o que está recebendo a grana – não tem o direito de reclamar ou de lhe taxar de louco: ele está ali para isso. No dia seguinte, ele pode lhe encontrar no supermercado e fingir que nunca te viu, sem neuras. Acontece também com os homens.

Fosse sexo por sexo, as garotas de programa, prostitutas e putas estariam fadadas ao fracasso. Já faz tempo que as mulheres se libertaram do tabu do “sexo só depois do casamento”: elas transam quando querem. Ainda assim, os homens pagam. E a Bruna Surfistinha, no livro “O Doce Veneno do Escorpião”, revela: muitos deles pagam para realizar fantasias que jamais pediriam para suas esposas, namoradas, amantes.
Sexo por sexo a gente encontra na rua, numa festa, na agenda do telefone. Realização, nem sempre.

Sobre os casais, Henry disse que são em geral de meia idade e financeiramente bem sucedidos. O pedido é sempre o mesmo: o marido quer ver sua mulher na cama com outro homem. Enquanto Henry entra em ação, o cliente senta na poltrona ao lado e assiste. Alguns filmam ou fotografam – o que encarece o programa. Ryan, o outro garoto de programa com quem conversei, confirmou: quando recebe chamada de um casal, sabe que vai rolar sexo só com a mulher; o marido é espectador.

Compreensível que chamem os garotos para isso. Que empresário, médico ou advogado bem sucedido convidaria um amigo ou conhecido para dar umazinha com sua mulher? Evoluimos muito, mas sexo ainda tem seus tabus. E é para cobrir essas lacunas, nas quais nossa moral não permite a entrada de qualquer um, que existem esses garotos e garotas. Pelo bem da nossa convivência social nos corredores da firma.



*O rapaz da foto é o Henry, que foi clicado pela fotógrafa Juliana Lobato.

Quer ler a matéria? Só clicar aqui.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Gorda, magra, gostosa



A Rosa puxou o assunto e eu vou continuar: corpo feminino. Mas não vou falar de plus-size, apesar de admirar e apoiar o movimento. Até porque, em mim, o plus-size é só na inteligência e na simpatia (risos): mal chegou nos 1,60 m. e faço o tipo mignon, apesar de odiar essa palavra (já me imagino embalada numa bandejinha no açougue do supermercado).

Sei que, como é quarta-feira, deveria falar de sacanagem. Na verdade, vou falar, porque é de verdade uma sacanagem o que a natureza faz com nós, mulheres.

Magra, gorda, gostosa, mulherão: quero que atire a primeira pedra aquela que nunca reclamou de uma gordurinha aqui, uma celulite ali, uma estria acolá. É a bunda muito grande, o peito muito pequeno, a “pochete” na cintura: toda mulher tem sempre alguma coisa que quer mudar.

Mas se engana quem pensa que mulher não está nunca satisfeita. Nada disso. O problema, senhores, é mais embaixo (ou mais em cima, mais do lado, mais aqui, mais ali...). É que o corpo feminino muda muito, e acaba faltando tempo pra gente se acostumar.

Quando você começa a achar um charme o quadrilzão e a cintura fina, pimba! Some a cinturinha. Daí você acha legal ter peito pequeno, e um dia acorda com tudo inchado. É assim: não bastassem as mudanças que acompanham o cliclo menstrual, aquele vai e volta, incha e desincha, ainda passamos por mudanças bruscas ao longo dos anos.

Você, mulher, pense em como era seu corpo quando você tinha 14 anos. Agora, lembre dos 17, depois dos 21 e agora veja os 25. Cada hora uma mulher, não?

Ok, dos 14 aos 17 as mudanças são totalmente compreensíveis. Mas e depois? Eu tenho reparado nisso em mim o tempo todo. Mas há uma grande diferença no meu modo de perceber isso.

Dos 14 aos 17 eu era magra, e comia. Comia muito, descontroladamente, o tempo todo. Chocolate, sorvete, bala, bolo, pipoca, hamburguer, pizza, tudo num mesmo dia. E não engordava. Mas ficava nervosa, estressada, fazia regimes malucos no dia seguinte: o dia todo tomando chá. Durava até as 10 da noite, então eu me arrependia, comia bolo, pipoca, sorvete e chocolate, tudo junto, e ia dormir. Acordava arrependida, e então passava o dia comendo frutas. Até as 10 da noite, num ciclo sem fim. Mas – o que era mais importante: continuava sempre magra, 6 quilos mais magra do que sou agora – e não estava feliz: eu queria o corpo da capa da revista.

Aos 20, eu engordei uns três quilos e eles nunca mais foram embora. Eu já não me desesperava mais.

Agora, aos 24, engordei mais três quilos. Tenho 6 a mais do que tinha aos 16, nem tudo está no lugar como estava naquela época, e olha que eu como bem menos, mas veja só: me preocupo bem menos também! Não fico mais ansiosa, nervosa, estressada. E, no final, ainda acho graça de gostar muito mais do meu corpo agora do que quando tinha 16 ou 18 ou 21.

Vejam bem: a natureza feminina não faz sentido, e também não nos favorece. O corpo muda o tempo todo e a gente sempre reclama. Aparecem gordurinhas, celulites, estrias, o peito cresce, diminui, a barriga aumenta. Mas assim como o corpo, a mente e o espírito também mudam e a gente aprende a se gostar, e ver charme nos defeitos que nem são defeitos assim: são particularidades. Sorte nossa!


*Mas a gente sempre reclama, que é pra não perder o costume de ser levemente irritante. Faz parte.