quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Os meus homens

Eu não sei ser amiga de ex-namorado. Estabeleço com eles uma relação que vai além da amizade, de qualquer tipo de relacionamento que se pode manter ao longo dos anos, e simplesmente não consigo depois de tudo ser amiga de alguém que compartilhou comigo sonhos, segredos, dividiu comida, pensou em nome de filho, passou uma tarde na cama, cuidou de mim enquanto estava doente, passou noites em claro comigo, me viu pelada, me comeu. Claro que consigo estabelecer amizades com pessoas que já me viram em situações dessas, mas não, jamais, nunca com alguém que me viu em todas essas situações diversas vezes, e sempre com amor e lascívia, sempre com um pouco de dor às vezes. Os homens que escolho para ser meus namorados não poderiam ser pra mim outra coisa senão isso - por mais que no início eles não saibam, mas pra mim eles são sempre homens que um dia vão ser meu namorado (mesmo que nunca de verdade cheguem a ser). Eu não namoraria um homem que é meu amigo, embora possa fazer sexo, embora possa ter um caso, mas é meu amigo. Meus namorados foram também meus amigos, mas foram mais que isso,e não que para mim namoro seja um tipo de relação mais importante que amizade. Não. Mas é uma relação que me suga, que me faz gastar energias, lágrimas e todos os sorrisos e fazer planos, sonhar, e eu não posso depois disso tudo aceitar uma mesa de bar, uma festa, um cumprimento qualquer, com aquele que foi o homem da minha vida. Depois de tudo, costumo dividir os meus ex-namorados em dois grupos: os que me fazem sentir ódio, apenas ódio; e os que serão para sempre os homens da minha vida. Por mais que não exista mais tesão, mais carinho, mais respeito, por mais que não sobre mais porra nenhuma, eles vão ser para sempre homens da minha vida. Aquele rosto, aquele corpo e aquela voz vão pra sempre representar o homem que foi um dia o homem da minha vida, que a primeira vez que me falou 'oi qual seu nome' ou 'essa carteira é sua' ou 'você bebe cerveja', eu pensei: é ele. E eu nunca poderei um dia passar ao lado desse homem na rua, dar um beijo no rosto e dizer: 'oi, tudo bem?' e ouvir só amenidades.

Talvez vocês me digam que eu não sei amar, que eu idealizo demais, que preciso de psicanálise. Talvez.

Do blog da @ohmaria, algo mais sobre isso.


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E esse post partiu de uma conversa com o @veridicool, depois de ler esse texto aqui.

6 comentários:

Laís disse...

essa é uma daquelas perguntas que me deixam com raiva de tanto quebrar a cabeça, pq não podemos ser amigas dos nossos exs? a resposta ainda não sei, mas acho que após um término de namoro o amor não morre. nós passamos a amar aquela pessoa de uma forma diferente, não importa quanto tempo passe. às vezes cercada de raiva, ódio, incompreensão, saudade, mas se vc parar pra ver, ainda é amor. e talvez por isso seja tão difícil.

Rosa disse...

eu não sei se eu partilho totalmente desse jeito de lidar com ex. Mas tenho certeza que eles nunca se tornam pessoas comuns. Não aqueles que amamos de verdade.... seria uma crueldade com a gente mesma reduzi-los a pessoas como todas as outras.

Mayara Almeida disse...

Muito bom!

Anônimo disse...

Carol, Carol, apaixxxxãoétalqualumacobracoral.

jhAimeer disse...

CAROL SIMPLESMENTE FANTÁSTICA !
eu poderia descrever isso para as mulheres mais acredito que um dia possa -lhe falar ao pé do ouvido xD!

Danielle disse...

Adorei esse post. Acho que de fato é bem difícil ser amiga de ex, mas acredito que seja possível e sempre tento trabalhar no sentido de conseguir isso. Não, não é fácil olhar pro ex e não lembrar de tudo que passou, principalmente das coisas boas, que, às vezes, te dão vontade de voltar e tentar de novo. E é pensando em tudo isso que acho que tem que tentar, ao menos, ser amiga. Nçao consigo pensar na idéia de que essa pessoa não faça mais parte da minha vida.