segunda-feira, 25 de julho de 2011

"Futebol, Mulher e Rock'n Roll...

...meu deus como isso é bom!" Ai, bons tempos de show de Dr. Sin, quando duas latinhas de cerveja davam pra noite inteira. (fim da reflexão nostálgica)

Investigando meus amigos heteros que não leem muito esse blog, tive uma sugestão de tema feita pelo Orley Colla (não façam bullying com o nome dele, ele é bonito e legal e você vai se arrepender!): o que os homens pensam de mulher que gosta de futebol?

Lancei minha pergunta no face. O resultado me assustou, ninguém disse de cara SIM, OBA, QUE LEGAL!
As opiniões se dividiram em: "se ela gostasse, bom, um assunto em comum, mas não faz muita diferença"; ou, "não, masculiniza a mulher e tira o feminilidade".

Interessante ver como os cuecas pensam, mas eu discordo completamente. Onde trabalho, só tem homem, praticamente, e toda segunda-feira eu pescava nos assuntos, que eram, majoritariamente, os jogos da rodada. Resolvi que iria aprender para me contextualizar  e os meus colegas foram muito gentis em me ajudar a entender. Ok, meus colegas me veem como amiga e não se importam se eu entender de futebol vai me masculinizar, mas eu tô conseguindo interagir e tenho até gosto em ver os resultados da rodada (os jogos ainda não).
                                                  (da seleção russa ninguém reclama, né?)

Ai eu penso na minha mãe: ela sabe tudo de futebol, muito mais que meu pai, adora, torce, vibra, grita, e ela é a mulher mais doce, gentil e feminina que eu conheço. E torce pro corinthians. Claro que existe as truculentas, mas isso existe até se o assunto for a coleção floral da primavera-verão desse ano.

Estendo o assunto: não sou delicada, gente. Nem anatomicamente, nem psicologicamente. Na última festa que eu fui, o moço olhou bem nos meus olhos e disse: "como você é grossa!". Eu sou, gente, fazer o quê?
Eu derrubo tudo, quebro tudo, sento no sofá quase caindo, bato a porta do carro, da geladeira, calço 41 e chuto todo mundo que anda na minha frente. E tenho a voz grossa.  E, agora, """"entendo"""" de futebol. Nunca me achei menos feminina por isso, e o conceito de feminilidade tem sido bastante discutido e me incomoda que só moça de cabelos longos, vestido leve e floral e rosto angelical seja feminina. Não é bem assim.
Eu vou no show do velhas virgens no meio de 50 homens e me sinto tão mulher quanto na manicure, fazendo a unha.

Acho que é uma questão de atitude, não de conhecimento, não de papo.
E porque polêmica pouca é bobagem; tô cansada de mulher querendo parecer mais doce e feminina do que  é para seduzir os rapazes. Visualizem a cena:
tapinha no ombro, dedinho enrolado o cabelo e com a voz fina mais falsa do mundo "seu grosso!"

Não tenho paciência, a não ser que ela seja verdadeiramente assim, com toda espontaneidade do mundo. Ai eu respeito e acho lindo, também.


Aguardo as pedras, as flores e as piadas contra o corinthians.


3 comentários:

Lulith disse...

ótimo post, Bud. Adorei e com ceerteza, muito vc (e nós)

Adrilles Jorge disse...

O estereótipo da feminilidade é contestado e tem sido continuamente recontextualizado, mas alguns signos de masculinidade/feminilidade ainda perduram e, para o bem da divisão atrativa dos sexos, perdurarão sempre. Ainda acho o assunto ''futebol'' um tanto chato, previsível e clicherescamente equacionado e dirigido especialmente pra uma mente prosaicamente masculina, por isto minha implicância com esta assimilação nos meios femininos também. Mas, dona Abboud,no mais das vezes, as pessoas forjam as análises sociais-coletivas por exemplos que possam abarcar o todo, e você exemplificou uma mulher ''futebolizada'' como sendo justamente você mesma! E você, Marcella, foge de todos os estereótipos e classificações possíveis. É completamente atípica, embaralhando as convenções. A persona ''Marcella Abboud'' dá uma tese de doutorado à parte do restante das mulheres.Para além do bem e do mal, para não achar que é elogio ou desaforo meu...rs

vinicius disse...

Em um mundo lógico a mulher deveria gostar mais de futebol do que o homem. Um bando de homens suados se esfregando e dando tapinhas na bunda um dos outros após a substituição,com coxas grossas e volumosas e pequenos shorts e camisas cada vez mais grudadas, não é de fato algo sedutor ao homem ou é? Ou talvez o homem somente goste de ver a bola entrando de vez em quando pra amortecer sua vida. Para ser mais verdadeiro possível, em um mundo lógico ninguém ganharia 10 milhões de euros só pra botar uma bola pra dentro.
Por que no fim é isso que constitui o homem moderno: por a bola para dentro. Se na vida afetiva ele não consegue, lá estamos nós na frente da TV.
Por fim em um mundo lógico o futebol substitui a mulher, e seguindo essa lógica, bastante confusa se torna a relação homem e futebol quando a mulher participa desse universo. Só de olhar uma mulher correndo no canto da tela da TV segurando uma bandeira e sinalizando quando outro homem está impedido já provoca no homem que assiste uma sensação estranha; como pode ele agora sentir-se acolhido ao se deparar com o objeto que ele busca substituir?
Isso é demasiado confuso para a nossa humilde condição masculina.